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Mostrando postagens de maio, 2024

“O GATO PRETO” NO OLHAR DE STUART GORDON

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Por Lucas Longhi  No conto “Gato Preto”, publicado pela primeira vez em 1843, Edgar Allan Poe traz ao leitor relatos do que, supostamente, o narrador vivenciou ao conviver com um gato chamado Pluto, ou Plutão. Escrito em primeira pessoa, logo fica clara a intenção de ambiguidade que o autor traz, criando um mistério em torno do que é real, do que é imaginação e do que é sobrenatural. O texto usa o horror e o suspense para lidar com temas como alcoolismo, violência doméstica e crueldade contra os animais. Plutão é a representação romana do deus grego Hades. Na mitologia, ele é considerado o rei do submundo, governador do reino dos mortos, e tudo que está abaixo da terra é considerado de seu domínio. Não coincidentemente, essa temática mortal está fortemente associada ao gato Plutão do conto, que parece ser um ímã para as fatalidades que acontecem ao longo da narrativa, além da insinuação de sua possível imortalidade, pois nem sua própria morte é capaz de evitar seu retorno na rotina...

William Wilson no duplo entre Poe e Malle

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por Willy Bonfim Silva O conto William Wilson de Edgar Allan Poe publicado inicialmente em 1839 e depois na coleção Histórias Extraordinárias em 1840, nos apresenta o relato de um homem próximo da morte, que utiliza do nome falso de William Wilson para contar sua história de vida. Em 1968 o conto ganha uma adaptação dirigida por Louis Malle, no filme “Histórias Extraordinárias” que foi feito em colaboração com outros diretores que adaptaram diferentes contos do autor. William Wilson inicia seu relato nos contando sobre sua infância no colégio interno, já nesse local ele conhece uma figura que irá acompanha-lo em toda sua vida, seu sósia que possui o mesmo nome e data de nascimento de William, além de possuir semelhanças físicas, sendo uma deficiência que impedia o sósia de elevar sua voz a única diferença marcante entre os dois. O sósia será visto por Wilson como um rival devido essas semelhanças, outro motivo do ódio de William por seu sósia é os conselho...

O Coração Delator (The Tell-Tale Heart) a partir da originalidade de Edgar Allan Poe e de duas obras fílmicas

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por Mateus Zaidan   Edgar Allan Poe escreveu o conto The Tell-Tale Heart em 1843 que pode ser conhecido aqui no Brasil como O coração delator, o coração denunciador ou o coração abusador. O protagonista, que também é narrador, conta essa história a alguém (interlocutor) que o ouve, provavelmente atônito com essa descriminação dos fatos. Talvez alguém da cadeia ou hospício. Isso não é dito, é apenas uma livre interpretação.  A história acompanha um jovem rapaz que vive na casa juntamente com um idoso. Esse jovem deve ser cuidador do idoso ou mordomo da casa ou as duas coisas simultaneamente. E ele deixa claro que sente apreço pelo velho e que o estimava, pois, o velho sempre o tratara bem, mas algo o começou a incomodar: “Um dos olhos dele parecia os dum abutre ― um olho azul claro, recoberto por uma película nevoenta. Cada vez que esse olho me fitava, sentia gelar-me o sangue” (Poe, 1843).    Decidido a matar o velho durante a noite, o jovem rapaz passa sete dia...

O Corvo pelo olhar de Os Simpsons

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por Leda Gambús  Muitos pensam que na Natureza apenas o ser humano entende o que é a morte, isso porque nunca leram O Corvo de Edgar Allan Poe. Neste poema de 1845, Poe narra uma noite fria e sombria vivida por um protagonista amargurado pela perda da amada, e possui o sono interrompido pela figura assustadora de um corvo, que torna tudo cada vez mais perturbador. Com sua escrita rebuscada, Poe descreve os acontecimentos daquela madrugada aterrorizante num ritmo musical, que permite ao leitor entrar numa espécie de transe e se deixar envolver pelos eventos do sobrenatural. A cada leitura, percebe-se o quão presente é a morte em todo poema através de pistas vindas da engenhosa mente do escritor. A começar pelo contexto da narrativa, que se passa no frio gélido de dezembro, onde nada vive ou nasce. Outro elemento sinistro é o animal que dá título à obra: o corvo. Descrito pelo protagonista de maneira emblemática, ele possui uma estranha habilidade de fala, que ecoa a toda pergunta fe...

POE E CORMAN EM “O POÇO E O PÊNDULO” – VISÕES DISTINTAS EM OBRAS IGUALMENTE FASCINANTES

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por  Jonathan Carrijo   Escrito por Edgar Allan Poe em 1842, o conto “O Poço e o Pêndulo” se passa em Toledo e narra o desespero dos últimos momentos de um condenado à morte pela inquisição espanhola. A história se passa em uma espécie de calabouço, e dali não saímos até que ela termine. Situando-se apenas nesse único local, não sabemos o motivo da presença daquele homem ali, restando-nos apenas, auxiliados pelo contexto histórico, imaginar as supostas causas (mesmo que muitas vezes não houvesse causa alguma, visto que a inquisição não precisava de provas ou motivos cabíveis para cometer suas barbáries). Acompanhamos então a descrição detalhada de como esse local funciona, assim como a aflição e desespero do nosso narrador, que a qualquer momento pode padecer diante dos métodos de tortura assustadores que nos são descritos. O tempo da história é psicológico, já que transita pelas memórias do narrador e passeia livremente por diversas questões, não focando em uma linearidade. O...

Quando o cinema desembrulha a literatura: o sadomasoquismo e a culpa cristã em “O Poço e o Pêndulo” (1991)

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por Amanda da Silva Oliveira  “O Poço e o Pêndulo" (1991), dirigido por Stuart Gordon, é uma das adaptações cinematográficas da obra homônima de Edgar Allan Poe, publicada em 1842, que retrata a história de um homem sentenciado à morte na Inquisição Espanhola; assombrado pela iminência do óbito e pelos fantasmas de sua própria mente, o protagonista mergulha nas profundezas da psique e na crueldade da condição humana. Nesse texto, exploraremos como o filme aborda os temas do sadomasoquismo e da culpa cristã através do personagem do Grande Inquisidor Torquemada, interpretado por Lance Henriksen, comparando-os com a narrativa original do conto. No conto de Poe, somos transportados para a sombria atmosfera da Inquisição Espanhola em Toledo, onde um prisioneiro é submetido a torturas físicas e psicológicas. Elementos como o poço sem fundo e o pêndulo afiado que lentamente desce em sua direção simbolizam a dualidade entre a morte iminente e o castigo divino, concebidos pelos crist...