O Corvo pelo olhar de Os Simpsons


por Leda Gambús 

Muitos pensam que na Natureza apenas o ser humano entende o que é a morte, isso porque nunca leram O Corvo de Edgar Allan Poe.

Neste poema de 1845, Poe narra uma noite fria e sombria vivida por um protagonista amargurado pela perda da amada, e possui o sono interrompido pela figura assustadora de um corvo, que torna tudo cada vez mais perturbador.

Com sua escrita rebuscada, Poe descreve os acontecimentos daquela madrugada aterrorizante num ritmo musical, que permite ao leitor entrar numa espécie de transe e se deixar envolver pelos eventos do sobrenatural.

A cada leitura, percebe-se o quão presente é a morte em todo poema através de pistas vindas da engenhosa mente do escritor.

A começar pelo contexto da narrativa, que se passa no frio gélido de dezembro, onde nada vive ou nasce.

Outro elemento sinistro é o animal que dá título à obra: o corvo. Descrito pelo protagonista de maneira emblemática, ele possui uma estranha habilidade de fala, que ecoa a toda pergunta feita com “Nunca mais”.

O que permite diversas interpretações e questionamentos, levando-o a crer que que não mais se trata de um corvo, mas sim do próprio mensageiro da morte.

Uma outra figura que merece destaque é a onipresente Leonor, possível amada do protagonista.

Morta de maneira precoce, ela não deixa de participar da história, devido ao ressentimento do protagonista. Além dela, a solidão é outro elemento que contribui para o enlouquecimento do personagem principal.

Adaptado para diferentes formatos, a obra de Poe ganha um novo significado quando protagonizada pela família mais famosa da história da televisão: Os Simpsons.

Produzido para um especial de Halloween, a versão traz humor à obra, por meio de interrupções pontuais que quebram o ritmo da história, porém sem desrespeitar a seriedade do autor.

Ela empresta de sua linguagem divertida para introduzir a família Simpsons ao conto clássico, garantindo a comicidade através do casamento perfeito da essência de seus membros com os personagens do poema.

Seja pela participação de Bart e Homer em sua famosa relação de brigas e perseguições, ou pela narração de Lisa, o poema se torna uma bela homenagem que consegue trabalhar o equilíbrio entre a linguagem rebuscada do autor, com a irreverência do cartoon de forma inusitada.

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