The Stuff – A Coisa. Porque um alienígena disforme semelhante a um marshmallow cremoso se tornou um clássico de terror que causava pesadelos nos jovens dos anos 80. por Ales de Lara
O filme “The Stuff” de 1985 dirigido por Larry Cohen é um filme sobre um alienígena sem forma definida, mas de aparência semelhante a um marshmallow que marcou uma geração. Alienígenas por si só já permeiam o imaginário de muitas pessoas, mas uma das razões pelas quais “A Coisa” pode ter se destacado tornando-se um ícone do cinema de horror é o fato de que, não só esses seres são invasores de corpos, mas também tem gosto e consistência de sobremesa, o que torna extremamente fácil de entrarem nos corpos humanos. É estranho pensar que algo de aparência inofensiva poderia ser tão perigoso, o que torna ainda mais eficaz sua disseminação. Em “Invasores de corpos” 1978, de Philip Kaufman, os humanos sofrem uma espécie de remasterização e em “Alien” 1979 de Ridley Scott, a larva alienígena usa o corpo humano como espécie de casulo e nutrição para transmutar na sua forma final. Apesar de todos esses filmes terem em comum a apropriação indevida dos corpos, a coisa traz a entrega voluntária, mesmo que sem saber, e brinca com a ignorância da ingestão de um alimento de origem e propriedade desconhecida como forma de contaminação, tornando a criatura, que é a mais aparentemente inofensiva, na mais potencialmente destrutiva, uma vez que pode ser consumida voluntariamente, retirada diretamente da sua geladeira e que irá usá-lo como vestimenta. Não existe dúvida para o expectador que a coisa vendida como sobremesa é uma criatura viva, desde o início do filme isso é deixado claro. E umas das razões pelo qual ficamos angustiados ao acompanhar a história é que a primeira pessoa a perceber isso é uma criança, sem poder nenhum de voz nem mesmo dentro de casa. Que credibilidade um menino que não está nem na adolescência teria ao dizer que aquilo na geladeira se mexe sozinho? E ainda, como se não bastasse a ingestão voluntária do alienígena, logo descobrimos que ele pode ser regurgitado de um corpo contaminado para outro hospedeiro. A outra pessoa mais próxima de descobrir a verdade é David, um homem contratado pelas empresas de sorvete para descobrirem a fórmula do Stuff na intenção de entregar a eles uma chance de concorrer com o produto que se tornou viciante e primeiro lugar em vendas. E isso nos leva ao marketing pesado para a venda do produto estimulando ainda mais o seu consumo. Assim como “Despertar dos Mortos” 1978 de George Romero e “Eles Vivem” de 1988 de John Carpenter, esse último tendo sido lançado depois de “the Stuff”, existe uma forte crítica a sociedade de consumo capitalista, onde pessoas gananciosas vendem o alienígena, a princípio sem sabe o que era, revelando posteriormente a ideia de continuar sua comercialização em doses controladas, onde o mesmo viciaria, sem dominar o corpo e mente de seus hospedeiros. Quando as táticas tradicionais não funcionam, os alienígenas que já estão dentro de hospedeiros humanos apelam para métodos de força bruta, pressão psicológica e chantagem emocional, reforçando a inteligência da criatura. Em sua forma tradicional, a coisa pode se apropriar de corpos de animais, infiltrar em basicamente qualquer lugar, fazer parte de objetos, e esperar pelo momento ideal para o ataque. Sendo então um ser alienígena dominador de mentes, ladrão de corpo, de camuflagem avançada, contendo inclusive propaganda publicitária, a coisa consegue aterrorizar de forma eficiente os humanos que ainda não estão sob a influência da criatura. Vale ressaltar também que quando a criatura vai deixar o corpo de um hospedeiro ela sai pela boca, forçando uma abertura sobre-humana, causando naqueles que assistem os companheiros morrerem, terror. “The Stuff” funciona graças a união dos elementos de ficção científica e horror.

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