Crítica - Sissy (2022) - por Leda Gambús

Sissy é um slasher queer que conecta a Austrália com o gênero de terror através de uma história divertida e violenta, questionando a relação tóxica criada pela internet em que somos induzidos a sempre apresentar nossas melhores versões. Escrito e dirigido por Hannah Barlow e Kane Senes, o filme traz um universo cheio de dubiedades sob o ponto de vista de Cecília (Aisha Dee), uma jovem influenciadora de saúde mental que busca conforto e aprovação online, mas que esconde um lado sombrio devido a traumas do passado. Com escolhas assertivas de fotografia e direção, Sissy é apresentada logo no início de forma controversa e irônica em meio a planos fechados, iluminação e cenário, revelando ao espectador em poucos minutos que a personagem se esforça para construir sua melhor versão online para ser totalmente o oposto do mundo real em que vive. O roteiro é autêntico e delicioso de acompanhar, pois consegue unir de forma orgânica os gêneros de terror e comédia para trabalhar temas como: saúde mental, positividade tóxica, obsessão, amizade, bullying e vingança. Além disso, traz personagens LGBTQIA+ e PcD sem se apoiar em clichês, o que traz um quentinho no coração. Sissy, ou Cecília como prefere ser chamada, é controversa e cativante, trazendo um tom de inocência e perversidade combinados de maneira sutil, com nuances que a tornam uma anti-heroína cativante de seguir. Carregado de ironia e tensão em apenas uma hora e quarenta minutos (raridade hoje em dia), o filme garante alguns risos de nervoso em cenas que podem surpreender e proporcionar uma experiência muito divertida. Com diálogos cheios de acidez, a cada cena descobrimos um pouco mais sobre o obscuro passado da protagonista envolvendo sua melhor amiga Emma (Hannah Barlow), única da trama que apresenta real compaixão pelos sentimentos de Cecília. Perturbada por lembranças e provocações de um episódio de bullying não superado, Sissy aos poucos se entrega a atitudes violentas e imprevisíveis, que acabam por trazer complexidade à personagem, tirando o fôlego de quem assiste. Os diretores trabalham com maestria os posicionamentos de câmera com closes nos rostos da atriz Aisha Dee em momentos estratégicos, que contribui com excelente atuação trazendo um tom muito sutil entre intimidade e intimidação ao espectador. Prova disso, é a rima visual no início e ao final do filme pelas falas quase idênticas de Sissy acompanhadas por um olhar triunfante e provocador quando comparado ao início da história. Sissy traz um conto de fadas moderno que combina terror e comédia, questionando problemas reais relacionados à saúde mental e redes sociais de maneira inteligente e autêntica. #Sissy #Film #Cinema #2022 #Terror #Drama #Comédia #HannahBarlow #AisheDee

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